11/04/2020

O que a pescaria tem a ver com a advocacia criminal e o que não tem?
Embora seja coisas totalmente distintas, tenho para mim que a advocacia criminal e a pescaria tem muitas coisas em comum, e explico: a prática esportiva (lazer) da pescaria requer paixão, requer que o amante da pescaria aprecie tal prática, e assim é na advocacia criminal, o advogado para atuar nessa área, tem que ter paixão, tesão, apreciar a arte de defender os direitos de seu patrocinado.
E não é só. Para pescar é necessário paciência, saber o momento certo para agir, saber que nem sempre o pescador irá levar vantagem sobre o peixe; e assim é na advocacia criminal, o criminalista tem que ter paciência, com Juízes, Promotores, Delegados de Polícia, Agentes Penitenciários, familiares de seus clientes e principalmente com o seu patrocinado; o criminalista tem que saber o momento certo de agir no processo penal e execução penal, saber que nem sempre ele irá “ganhar” uma absolvição em favor de seu cliente; sim, a absolvição enche os olhos dos advogados criminalistas, principalmente dos clientes dos advogados, mas as vezes a absolvição não vem, isso é fato, mas, ao invés da absolvição poderá vir uma desclassificação para um crime menos grave, uma pena fixada no patamar mínimo, um pedido de um acordo de não persecução penal, uma suspensão condicional do processo, e por aí vai.
Na pescaria o pescador tem que saber as ferramentas certas para cada tipo de peixe, tem que conhecer o local em que está pescando, tem que saber qual é a isca correta para pescar o peixe que almeja. Na advocacia criminal não é diferente, o advogado criminalista tem que saber qual a peça correta para manejar à favor de seu cliente a cada momento do processo-crime ou em processo de execução criminal, tem que conhecer o local (principalmente processos em que o advogado irá atuar no plenário do Júri), o advogado criminalista precisa saber usar a “isca” correta para poder ver quando as testemunhas de acusação estão mentindo nos processos penais, saber jogar a “isca” para que o promotor caia e o advogado surpreenda-o em sua estratégia defensiva.
Na pescaria, o pescador precisa se preparar para ir aos rios pescar, arrumar as tralhas de pesca antecipadamente para o dia da pescaria, tem que saber que durante a pescaria poderá acontecer qualquer imprevisto, tem que estar sempre atento. Na Advocacia Criminal, o criminalista precisa se preparar para atuar no processo, para fazer audiências, para fazer júris, para fazer uma sustentação oral nos tribunais superiores, para atender seus clientes, para despachar com Juízes e Delegados, falar com Promotores; o advogado tem que estudar o processo, analisar as provas constante nos autos, marcá-las e grifá-las antecipadamente para o dia da audiência, dia do plenário do júri (aqui é de suma importância, os jurados gostam de conhecer as provas, de ver as provas, de ter contato com elas), para uma sustentação oral (tanto para uma audiência quanto para uma defesa nos tribunais superiores); o advogado criminalista tem que saber que durante a audiência, plenários de júris, sustentações orais em tribunais superiores, muitos imprevistos podem acontecer, e nesse passo, terá que se ajeitar conforme a situação pede no momento.
Na pescaria, existem muitos tipos de peixes que requer uma atenção redobrada, vamos se dizer até uma certa bajulação. Na advocacia criminal não é diferente, os clientes, os familiares também requer uma atenção, uma “bajulação”, são carentes (principalmente os clientes de processos de execução penal).
Na pescaria o pescador sabe que o resultado não depende de você, que ele não pode afirmar categoricamente que irá trazer um peixe para casa, pois existe muitas variáveis para que isso aconteça. Na advocacia criminal, o advogado criminalista tem que saber que ele NUNCA poderá “vender” resultado à seus clientes ou familiares, pois isso não depende somente do advogado; ao criminalista caberá dizer ao seu cliente e/ou familiares que fará o serviço contratado da melhor forma possível, utilizando as medidas cabíveis e necessárias para tentar alcançar o melhor resultado no caso concreto. Até porque, os serviços prestados por nós advogados criminalistas são serviços de atividade meio e não atividade fim.
Na pescaria o pescador precisa cevar, ele precisa saber que muitas das vezes o “mar não está para peixe” e que será necessário fazer algo diferente e tempo para que ele comece a pegar peixes com mais frequências. Na advocacia criminal, o criminalista também precisa semear, precisa saber que clientes não caiem do céu, que será necessário fazer algo diferente para conquistar clientes e que se levará algum tempo para que ele seja reconhecido.
Em outro fundo, é cediço que na sociedade os pescadores são popularmente taxados como mentirosos, mas aqui, é exatamente o ponto que a advocacia criminal não tem nada a ver, absolutamente, nada a ver com a pescaria, isto porque, o advogado criminalista deve ser sincero com seu cliente, nunca faltar com a verdade, pois isso além de ser prejudicial profissionalmente, vez que ficará mal visto perante seus clientes e até mesmo com possíveis clientes, pois a melhor venda do advogado, é seu cliente, sendo assim, prometendo resultado para o cliente e não obtendo êxito, certamente seu cliente falará mal do advogado para amigos ou familiares, no qual irão olhar com uma certa reserva para aquele advogado. Além do mais, advogado muita das vezes corre risco de vida com tal prática, por isso, repito, NUNCA vendam resultado.
Diferentemente da advocacia criminal, a prática de pescaria admite aventureiros, tanto é verdade que normalmente vemos alguns pais esporadicamente levando seus filhos para pescar; não estou fazendo uma crítica quanto à isso, longe disso, o que quero dizer e deixar bem claro que a advocacia criminal não é lugar de aventureiros, o advogado criminalista tem que saber o que está falando e o que está fazendo. O advogado não pode atuar na seara penal apenas visando os honorários, o advogado tem que saber que ele cuidará da liberdade de uma pessoa, tem que saber que ele tem que fazer a lei ser aplicada e garantir que a justiça seja feita.
É isso pessoal, espero que vocês gostem do artigo!
Abraços.